Bendita seja a Santa e Imaculada Conceição, da Virgem Maria Mãe de Deus! Nós vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo. Aqui e em todas as Vossas Igrejas que estão pelo mundo inteiro. E Vos bendizemos, porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo! PAZ & BEM!!!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Eucaristia, uma história de amor.


A liberdade para amar alimenta-se na Eucaristia, reunião festiva da fraternidade. Tem nela também o principal ponto de passagem entre o "lugar" dos homens e o "não-lugar" de Deus.
Não há verdadeira celebração eucarística sem uma verdadeira fraternidade. E a fraternidade não cresce sem a celebração eucarística. A Eucaristia não se esgota na Missa: tem que ser vivida o dia inteiro no relacionamento fraterno.
A Eucaristia é algo sem valor para os "sistemas" do nosso "mundo", que olha tudo a partir da produção e do econômico. Mas, para nós, é ela que forma o Povo, porque começa formando a família.
Para criar o mundo novo, Deus mesmo se fez comida e se pôs à disposição dos pequenos, clamando: Vocês tratem de "me comer", de me assimilar, para que o "mundo" dos homens seja mudado na fraternidade dos filhos de Deus.
Os irmãos e irmãs que estão se libertando cada dia para amar, aplicam a Vida que comeram na Eucaristia à salvação do Povo. Transformam o mundo a partir da ceia do ágape, em que todos devem unir-se, sem excluir ninguém da mesa.

São Francisco e o Jesus da Eucaristia

"Homenzinho simples e iletrado", como ele mesmo se chamava, São Francisco deixou escritos que nos impressionam e Deus fala em tudo que existe. Fala até nas plantas, nos animais, em nós mesmos e no que acontece em nossa vida. Mas para Francisco era evidente que, quanto mais a Palavra chegava perto do Jesus Pessoa revelado no Evangelho, mais era Palavra. Por isso, tinha uma veneração especial pela palavra revelada na Bíblia.
Entretanto, Francisco ainda venerava mais as Palavras usadas na liturgia e de maneira muito especial as que fazem os sacramentos. A essas chamava de "santíssimas palavras" do Senhor Jesus Cristo.


Santa Clara e o Jesus da Eucaristia

Clara escreveu pouco sobre a Eucaristia. Mas são fundamentais suas ações eucarísticas, porque vivia em todas as circunstâncias o esforço de transformar o seu mundo em mundo de Deus.
Rublev pintou a obra prima dos ícones, a sua famosa Santíssima Trindade, representando a mesa do almoço que Abraão preparou para o Deus Trino (representado pelos anjos) sob o carvalho de Mambré. Mas, para ele, esse almoço era a ceia eucarística, tanto que o cálice contendo vinho em forma de cordeiro está em cima da toalha branca e a mesa tem o lugar reservado para a pedra de ara. A Trindade vive uma ceia de amor e a Eucaristia é o nosso jeito de – fraternalmente – tomar parte nessa ceia.
Nos cultos judaicos, é a mãe que prepara a mesa, na qual acende as velas quando surge a primeira estrela da noite. Clara foi uma mãe eucarística. Cuidou de pôr a mesa e cuidou de suas filhas para se sentarem ao redor da mesa.
Com Clara, em São Damião, tudo era eucaristia: cuidar da capela e cuidar da casa, da horta e – mais ainda – lavar as mãos e os pés das Irmãs, cobrir quem tinha frio, curar as doentes, porque é mais importante cuidar dos que vão se sentar à mesa com a Trindade do que deixar a mesa bonita e fazer a comida gostosa. É nessa perspectiva que entendemos todo o seu dedicado e carinhoso tratamento com todas as suas Irmãs.


Nós e a Eucaristia hoje

A reflexão que fizemos sobre a maneira de Francisco e Clara viverem a Eucaristia não nos deixa dúvida nenhuma: para eles, não há nada mais concreto de Deus neste mundo do que o mistério do corpo e do sangue de Cristo que nós celebramos em nossos altares. Foi vivendo intensamente essa presença transformadora de Jesus Cristo que eles renovaram o mundo, com uma força que não se esgota oitocentos anos depois.
E nós? Que é que fazemos com a Eucaristia? Não é verdade que, apesar do nosso encontro diário com Deus vivo o mundo continua sempre o mesmo?
Tanto Francisco quanto Clara, pelo que sabemos, foram pessoas que, ao se encontrarem de um forma mais consciente com Jesus Cristo, perceberam que o mundo em que estavam vivendo não era o mundo de Deus. Tiveram a coragem de "sair do mundo". Mas não saíram nem do lugar nem do tempo em que estavam vivendo: saíram da mentalidade, saíram das ideologias, saíram do que "todo mundo" achava certo.
Não pegaram armas nem faixas. Sabiam que a questão não era substituir os poderosos de plantão: era mudar a si mesmos e a todas as pessoas que fosse possível pela sabedoria do Evangelho e pela força da Eucaristia. O "mundo" da maioria continua mau. Mas, para Francisco, Clara e seus seguidores já não é o mesmo. Podemos começar a deixar o mundo diferente hoje mesmo. Como? A resposta está no movimento do coração, que é sair de si, alteridade, e ir ao encontro do outro.
Uma das "mortes" mais cruéis no tempo de Clara, como no nosso tempo, era a das guerras e das violências. Ela deu um magnífico exemplo de como vencer essa morte: fez levar o Santíssimo Sacramento ao encontro do medo das Irmãs e da agressividade dos sarracenos.
Outra morte de uso quotidiano é nossa capacidade de nos isolarmos, até com a desculpa de servir a Deus e ao próximo, deixando nossos irmãos e nossas fraternidades privadas do nosso amor fraterno. Santa Clara venceu essa morte com a Eucaristia, quando rompeu as tradições seculares para tornar o refeitório um lugar de encontro, recreio e trabalho, para fazer as doentes terem a consolação da conversa fraterna, para abrir a possibilidade de comunicação amiga e cheia de ternura.
Em síntese, celebrar Corpus Chriti, é sair de egocentrismo e se voltar para o outro, na alteridade, onde cada um passa a ser responsabilidade minha, pense nisso...

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